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Ex-aluno do Colégio Cruzeiro ingressa em carreira diplomática

Eduardo Freitas de Oliveira

O Colégio Cruzeiro busca, ao longo dos 146 anos de existência, garantir a formação integral dos seus alunos, primando sempre pela qualidade no ensino. Nesse sentido, os resultados obtidos ao longo desse tempo vêm refletindo esse cuidado. Como é o caso do ex-aluno Eduardo Freitas de Oliveira, recém aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (Itamaraty).

Bacharel em Direito, ele não tinha muito interesse em atuar em sua área de formação. Ao final da faculdade, surgiu o concurso para o Itamaraty, uma oportunidade que, para Eduardo, foi “uma válvula de escape”. Com 115 vagas oferecidas, Eduardo foi o terceiro colocado na classificação geral do Concurso.

Para chegar a este resultado, ele teve que passar por nove provas no período de três meses. Uma das características do processo seletivo é a obrigatoriedade da língua inglesa e mais um idioma, que até pouco tempo, deveria ser o francês ou o espanhol. Neste ponto, as mudanças na disputa conspiraram a favor de Eduardo: a prova deste ano apresentou também como opções de segunda língua estrangeira o alemão, mandarim, japonês, russo e árabe.

Mesmo sem estudar alemão desde que terminou o Ensino Médio no Cruzeiro, em 2002, Eduardo praticamente gabaritou a prova ao marcar 47 pontos, de um total de 50, obtendo a maior nota de segundo idioma estrangeiro no processo.

Ao ingressar no Itamaraty, Eduardo finalmente conseguiu conquistar aquilo que todo jovem quer: o reconhecimento profissional e independência financeira. Em entrevista concedida ao Cruzeiro, Eduardo nos conta um pouquinho desta trajetória de sucesso.

CRUZEIRO - Você terminou o Ensino Médio no Cruzeiro em 2002. Que lembranças tem do Colégio?

EDUARDO - A lembrança mais marcante que tenho do colégio é, sem dúvida, a dos amigos que fiz. Meus colegas de Cruzeiro são, até hoje, os grandes amigos que tenho, e a convivência quotidiana com eles é uma das coisas de que sentirei mais falta nessa minha mudança forçada para Brasília.

CRUZEIRO - O ensino fornecido pelo Colégio influenciou na escolha de sua profissão? De que forma? 

EDUARDO - É difícil dizer que o ensino fornecido pelo Colégio tenha influenciado na escolha de minha profissão, porque tive a sorte de contar com professores competentes na maior parte das matérias. Se dependesse apenas da preparação que recebi no Cruzeiro, poderia ter me tornado tanto diplomata quanto qualquer outra coisa, em qualquer área de especialização. Tanto que cursei também um ano de economia na UFRJ, levado pelo meu gosto pela matemática.

Mas acho que, de qualquer forma, meus tempos de colégio facilitaram meu caminho para o Itamaraty de duas maneiras: as boas aulas de história foram fundamentais para que descobrisse minha vocação na área de humanidades, e as palestras de diplomatas durante a semana do Encontro com as Profissões (pude assistir a duas delas) foram meus  primeiros contatos  com a profissão.

CRUZEIRO - O conhecimento do idioma alemão foi um fator importante para a sua colocação?

EDUARDO - Tradicionalmente, o concurso para o Itamaraty envolvia provas de língua estrangeira em inglês (obrigatoriamente), espanhol ou francês (podendo o candidato escolher entre uma das duas). Este ano, felizmente, o leque de línguas estrangeiras foi expandido. O inglês continua sendo obrigatório, mas o candidato pode escolher sua segunda língua estrangeira dentre um número maior de opções, que inclui não só francês e espanhol, mas alemão, mandarim, japonês, russo e árabe.

Essa mudança me favoreceu, pois não domino o francês e estava estudando espanhol há menos de um ano. Apesar de não ter aulas de alemão desde que saí do colégio, em 2002, consegui fazer 47 pontos em 50, a maior nota de segunda língua entre todos os candidatos.

Com essa nota, pude manter a colocação que havia obtido nas fases anteriores.

CRUZEIRO - Quando e como surgiu o interesse pela carreira diplomática?

EDUARDO - Na verdade, a carreira diplomática foi uma válvula de escape que encontrei quando, nos últimos anos de faculdade, percebi que não gostaria de trabalhar com o Direito, por diversas razões. Trata-se de uma carreira que exige diversos sacrifícios, e, por essa razão, nunca a havia considerado seriamente como opção profissional; mas, com a faculdade chegando ao fim, era preciso definir aquilo com o que eu iria trabalhar, afinal, e a diplomacia me pareceu a melhor opção.

Esse final de faculdade foi, para mim, um momento de indecisão ainda mais difícil do que a escolha do meu curso universitário, mas hoje, olhando para trás, acho que fiz a opção correta

CRUZEIRO - Qual foi a sua classificação no resultado final?

EDUARDO - Consegui me sair razoavelmente bem em todas as provas e esse equilíbrio me permitiu alcançar a terceira colocação no resultado final do concurso. Minhas melhores notas foram as de geografia e de política internacional, além de alemão.

CRUZEIRO - Sabemos que 8.228 pessoas se inscreveram para o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, que ofereceu 115 vagas. Qual a sensação de ter conseguido uma vaga sendo o concurso tão disputado?

EDUARDO - A sensação é especialmente boa porque o concurso é extremamente desgastante. São nove provas ao longo de três meses, e o dia de cada resultado é de muita apreensão. A obtenção de um bom resultado exige um esforço muito grande; passei o primeiro semestre desse ano estudando entre oito e nove horas por dia, em média. Depois disso tudo, o resultado positivo é um verdadeiro alívio.

Além disso, há a felicidade por ter iniciado minha vida profissional com o pé direito e por ter obtido minha independência financeira tão logo conclui a faculdade

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